Podem me chamar de Mi, tenho 34
anos, sou jornalista e mãe.
“Entre mil cozinhas”, é assim que eu
me sinto na hora de decidir qual prato preparar. A cada receita, entre tantas
que acumulo, me encanto com os ingredientes, com a forma de preparo, com a
magia da mistura e toda a história que cada receita carrega junto com seu
sabor.
Aqui em casa, ninguém mais aguenta
ouvir sobre aquele ingrediente novo, sobre o livro que fala de comida, os
filmes que eu assisti, ou que quero assistir, os blogs que eu
acompanho...
É um pouco de tudo isso que quero
compartilhar aqui... Começo por um lindo trecho escrito por Gilberto Freyre em
1939, no livro Açúcar:
“Há um gosto todo especial em fazer
preparar um pudim ou um bolo por uma receita velha de avó. Sentir que o doce
cujo sabor alegra o menino ou a moça de hoje já alegrou o paladar da dindinha
morta que apenas se conhece de algum retrato pálido mas que foi também menina,
moça e alegre. Que é um doce de pedigree, e não um doce improvisado ou imitado
dos estrangeiros. Que tem história. Que tem passado. Que já é profundamente
nosso. Profundamente brasileiro. Gostado, saboreado, consagrado por várias
gerações brasileiras. Amaciado pelo paladar dos nossos avós”.